Por que é tão difícil estabelecer limites?
- Raíssa Paes Leme
- 5 de mar.
- 2 min de leitura
Atualizado: 9 de mar.

Você quer dizer não e, mais uma vez, diz sim.
Porque pensou no que o outro sentiria e imaginou a decepção, o silêncio, a possibilidade de que algo se quebrasse ali, e que a culpa seria sua. Então, você cede, ajusta, engole o incômodo, seguindo em frente.
Mas o incômodo não some, ele acumula!
Muitas mulheres chegam à terapia sem conseguir entender exatamente o que está errado... sabem que estão cansadas, que se sentem invisíveis. Às vezes, elas têm raiva, mas nem esse sentimento se permitem ter, porque parece um exagero. Em vez disso, o que aparece é a culpa. Culpa de existir com necessidades.
O psiquiatra John Bowlby descreveu como aprendemos desde cedo a regular nosso comportamento para manter a proximidade de quem cuidava de nós. Quando ser uma pessoa compreensiva, fácil ou forte era o que garantia esse vínculo, a irritação, a frustração e o simples ato de dizer não se tornaram ameaças. Não eram ameaças externas, mas sim ameaças ao nosso pertencimento.
Esse aprendizado não some quando crescemos.
Ele continua no nosso inconsciente, atuando de forma automática, nas relações que mais importam. Por isso que estabelecer um limite passa a parecer um ato hostil, como se você estivesse tirando algo de alguém, em vez de simplesmente ocupar o espaço que é seu.
Na terapia, o trabalho não começa com as frases certas para dizer não. Começa antes disso, em conseguir ouvir o que você mesma está sentindo, sem tentar consertar, minimizar ou justificar imediatamente, e assim dar espaço para ser você e perceber que o que você sente é o suficiente para ser levado a sério!
Um limite não é uma ruptura, não é egoísmo. É a diferença entre estar em um relacionamento e se dissolver dentro dele.
Se você se reconheceu aqui, a psicoterapia pode ser um espaço para entender melhor de onde vem essa dificuldade e o que é possível a partir daí.

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